- Opinião

O retorno da coluna e a admiração sobre a dupla

Prezados leitores do Conexão GreNal, é com satisfação e entusiasmo que volto a escrever esta coluna. Aos que já me acompanhavam, conhecem a mim e o meu estilo; aos que ainda não me conhecem, apresento-me: nascido em Porto Alegre, no (nem tão) longínquo ano de 1987, desde cedo tornei-me um apaixonado pelo futebol, esse nobre esporte que já se confunde com a própria história e cultura do nosso país e estado. No entanto, poderia descrever que, ainda mais do que um simples apaixonado pelo esporte bretão, sou um admirador ferrenho da escola gaúcha de futebol e da história de nossos principais clubes.

Abro um espaço agora para expor minha admiração pelo azul e pelo vermelho que tanto honram e elevam o nome de nosso estado. Como é possível que, tão longe do centro do país e, portanto, sem os mesmos privilégios econômicos que os clubes daquela região, tenhamos criado dois gigantes do futebol mundial? Como é possível que dois clubes que peleiam um contra o outro, durante incessantes 103 anos, tenham arranjado tempo nessa disputa particular para conquistar (e reconquistar) o Brasil, a América e o Mundo? A resposta é simples: eles nunca arranjaram tempo. Eles nunca se esqueceram. Quando Hugo de León levantou a taça de campeão da América em 1983, ele não estava simplesmente elevando o seu Grêmio à condição de melhor time da América. No fundo, cada coração tricolor sentia que aquele momento era uma resposta à máquina colorada tri-campeã brasileira nos anos 70 e aos anos de provocação a que eles haviam sido submetidos. Do mesmo modo, os colorados tiveram de esperar 23 anos para dar o troco ao seu rival. Enquanto a raça e o suor de Tinga, a liderança de Fernandão e a técnica de Sóbis prevaleciam sobre o São Paulo então campeão do mundo, os torcedores presentes no Beira-Rio sabiam que ali, naquela decisão emocionante, o adversário podia até ser o time paulista, mas quem estava presente na cabeça dos colorados era o eterno rival azul, preto e branco e a chance de resposta após 23 anos era a verdadeira e principal motivação de cada voz que embalava o time no Beira-Rio lotado.

Essa é a beleza e a verdadeira natureza de nosso futebol. Vivemos em um estado com uma cultura bélica, o que sempre acaba conduzindo ao maniqueísmo. Azul e vermelho, vermelho e azul, quem é o bom e quem é o mau? Pergunta essa que ecoa pela nossa Província de São Pedro há mais de 103 anos, sem resposta definitiva. E querem saber? Que seja sempre assim, sem respostas, sem certezas. Enquanto o azul e o vermelho travarem esta luta provinciana, temos a certeza de que continuaremos, mesmo sem os mesmos privilégios, fazendo frente aos times do centro do país e de toda América do Sul. Enquanto os dois insistirem em se superar, continuaremos a presenciar milagres que somente a rivalidade Gre-Nal poderá nos explicar. O ressurgimento do Inter nos anos 2000 e a volta heróica Tricolor na Batalha dos Aflitos só se explicam assim: milagres de clubes que só abandonaram o fundo do poço para que não se dessem por vencidos pelo seu rival. Ambos já amarguraram derrotas e períodos turbulentos, mas não baixaram a cabeça perante o rival, jamais. Há de se louvar. Grêmio e Inter são, ao mesmo tempo, reflexo da história do Rio Grande e a própria história do seu estado.

Sem mais delongas, tenho o prazer de encerrar esta coluna dizendo que estarei esperando a participação de vocês, leitores, para contribuírem com os planos de fazermos desta coluna um amplo e democrático espaço para discussão dos principais assuntos da Dupla em 2012, este que promete ser um ano histórico e emocionante, já que teremos um de nossos principais clubes buscando o tricampeonato da Libertadores da América enquanto o outro vai atrás de títulos nacionais tendo, em sua casamata, um pentacampeão brasileiro dirigindo um clube gaúcho pela primeira vez na história. Agradeço a atenção e aguardo a sua participação.

Escrito por Carlos Quadros

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