- Opinião

A noite de Tinga

Não se apavorem, leitores. Não pensem que o título desta coluna indica que eu, um felizardo por ter assistido ao espetacular jogo da noite de ontem, entre Inter e Santos, não reconhecerei o fato óbvio de que Muriel e Neymar foram os nomes da partida. Acontece que, no dia de hoje, todos os comentários a respeito do jogo estarão voltados para os dois protagonistas da partida. Por isso, resolvo abrir esse espaço para elogiar este grande jogador de futebol chamado Paulo César Tinga. A entrega do jogador nesta partida tão decisiva foi simplesmente comovente. Tinga, aos 34 anos de idade, corre, arma e marca com a dedicação incansável de um jovem em busca da titularidade. Poderíamos compará-lo com Guiñazu, pela sua intensidade de jogo, mas seria injusto com Tinga: ele possui virtudes ainda maiores que as do gringo. Tinga voltou da Europa com uma compreensão tática invejável. Na noite de ontem, foi o melhor jogador colorado na linha. O Inter não contava com Guiñazu, Oscar e D’Alessandro, e Tinga fez o que pôde para marcar como o primeiro, oferecer a intensidade de jogo do segundo, e ainda tentou armar como o terceiro. Neymar foi fenomenal, Muriel salvou o Inter da derrota, mas não esqueçamos que Tinga foi o principal responsável pela intensidade de jogo que levou o Inter a amassar o Santos no primeiro tempo. Saiu cansado, mas um jogador com sua capacidade de entrega não descansa nem quando sai de campo: do lado de fora, atuou como auxiliar de Dorival, indicando que talvez estejamos presenciando o nascimento de um futuro treinador. Como volante ou como armador, Tinga é indispensável ao time do Inter em qualquer função que seja escalado. Com ele, já bicampeão da Libertadores pelo Internacional, o torcedor colorado pode sonhar ainda mais com o tri.

A festa nas arquibancadas

O Beira-Rio estava lotado, a torcida fez festa e criou um clima de decisão para a partida. Os torcedores do Santos também compareceram em peso. Se dentro de campo já tivemos um grande jogo, nas arquibancadas tivemos um espetáculo à altura. Ao fim do jogo, não houve vaias. Ambas as torcidas aplaudiram os times. Reconheceram que as duas equipes eram qualificadas e jogaram em seus limites. Espetáculo completo, portanto.

Outros fatores relevantes do jogo

Tinha escrito em minha última coluna que Sandro Silva seria opção melhor que Bolatti por oferecer maior poder de marcação. Foi o que se viu. Sandro jogou muita bola, marcou em cima, não deu espaços, e mostrou qualidade ao sair jogando. O Inter ganha uma reposição importante aos volantes titulares, Tinga e Guiñazu. Muriel vem se afirmando, assim como Moledo, que desta vez fez o que não havia feito na Vila Belmiro: marcou com força e vibração. O time todo esteve bem, com exceção de Damião. Era para ser confronto entre Neymar e o centroavante colorado. Neymar ganhou de goleada. Damião não apenas não jogou bem. Ele errou bolas fáceis, domínios simples e o mais grave: não chutou a gol. Num jogo como o de ontem, é inadmissível que um centroavante de seleção brasileira não tenha criado uma situação de gol para o seu time.

Vitória simples em Minas

Às vezes, o importante é trazer o resultado. E o Grêmio o fez. Poderia ter até saído com a classificação garantida, não fosse Marquinhos perder dois gols claros ao final da partida. Ainda assim, o torcedor gremista ficou apreensivo. A atuação foi abaixo do esperado, mais uma vez. Luxemburgo vai se virando com o que tem, e ontem improvisou um 3-5-2 pelo simples fato de que as lesões não o deixaram fazer diferente. A tendência é que o time melhore com a volta de Mário Fernandes, Gilberto Silva, Marco Antônio e Moreno, mas isso não significa que o torcedor tricolor não continue assustado: falta elenco ao Grêmio. As lesões também aparecem em número assustador, é verdade, mas isso não pode ocultar o fato do time do Grêmio não ter peças de reposição. Por isso afirmo: a vitória de ontem era essencial. Com o quadro atual, o que importa é vencer, e não jogar bem. É preciso que o Grêmio corra contra o tempo para reforçar seu elenco para as fases difíceis da Copa do Brasil. Até lá, 1 a 0 no Ipatinga fora de casa deverá ser goleada para o tricolor, até porque esses resultados apertados ajudam a escancarar para a torcida e diretoria que o time não está pronto. O Grêmio tem de se mexer.

Escrito por Carlos Quadros

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