- Opinião

Airton: O Zagueiro

O ano vigente por si só é nostálgico para os gremistas. Depois de 58 anos cantando suas glórias no Bairro Azenha, sede do Olímpico Monumental, o Tricolor realiza sua derradeira temporada neste recinto. Se as lágrimas insistem em rolar desde a partida que abriu o ano de 2012, numa derrota para o Lajeadense, nesta terça-feira, três de abril, o choro foi compulsivo. Uma referência partiu ao Eterno. Em 1954, depois de jogar com classe e brio pelo Força e Luz, um zagueiro chegou ao Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense. Comprado por 50 mil cruzeiros, o que entrou para a história mesmo foi uma outra parte da negociação. O Clube que recém inaugurara seu estádio, cedeu para o adversário seu antigo pavilhão social da Baixada (onde hoje está o Parque Moinhos de Vento).

Minha homenagem é para Airton Ferreira da Silva, simplesmente Airton Pavilhão. Tenho 29 anos, ou seja, não assisti este profissional atuando dentro de campo. Tive a oportunidade de levá-lo por pelo menos duas vezes na Rádio Pampa, que no ano de 2006 e 2007 ainda tinha departamento de esportes. Na emissora, o programa Show de Bola era apresentado por Roberto Brauner e este que vos escreve produzia. Conversava com todos. Desde a entrada na voz suave e fala mansa que possuía dando boa tarde ao porteiro, até o olá para a senhora do cafezinho e as grandes resenhas no microfone para os ouvintes. Sujeito simples. Homem de bem. Dentro das quatro linhas, só escutei falar maravilhas. Cresci imaginando como ele atuava. Um defensor que praticamente não fazia faltas? Impossível pensava eu quando criança.

Me permito um testemunho dado por Jorge Carvalho. Na década de 60, os gaúchos ansiavam pelas partidas de Grêmio e Internacional contra o Santos. Sem televisão, as notícias do rádio e jornal apresentavam um tal Pelé. Tal não, porque em 1958 o Mundo já lhe conhecia. Conta meu pai que com cerca de oito anos foi levado pelo meu avô para ver o genial Édson. Sentados nas arquibancadas, ao lado de torcedores do time da casa, para um menino que há pouco chegara de Rio Pardo, era o camisa 10 da Vila Belmiro quem interessava. Final de partida e somente um nome era lembrado: Airton Pavilhão. Pois é, o maior zagueiro da história gremista anulou o jovem de Três Corações. É assim que meu velho sempre disse que assistiu ‘Pavilhão’.

O próprio ídolo, que agora está ao lado de Foguinho, Eurico Lara, Booth, Gessy e tantos outros, afirmou nos corredores da emissora que citei acima ter sido amigo de Pelé. Por isso que sempre recebeu elogios do melhor jogador da história do futebol mundial. Além de tudo, humilde. Pois os adjetivos atribuídos pelo Rei, jamais foram pela amizade, mas sim pelo seu desempenho em campo.

Descanse em paz, Airton!!

Escrito por Diego Carvalho

Leia outras publicações de Diego Carvalho

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.