- Opinião

Inter tem a chance de repetir meio-campo campeão da Libertadores 2006

Sem seus dois melhores meio-campos, os torcedores do Inter surgem, neste início de semana, com poucas esperanças concretas de vitória sobre o Santos. Sem o dinamismo de Oscar e a cadência de D’Alessandro, contra um atual campeão da Libertadores que vem completo, os torcedores do lado vermelho do estado não andam exalando confiança para esta partida. No entanto, é hora de pararmos e analisarmos se, realmente, o Inter que irá a campo será de fato tão inferior ao de sua formação ideal.

O time que terminou o ano passado tinha um meio-campo formado por Guiñazu, Tinga, Oscar e D’Alessandro. O que entrará em campo amanhã terá Elton, Sandro Silva, Tinga e Dátolo. Jogadores diferentes em todas as funções, portanto, embora a idéia tática do time se mantenha a mesma. Hora de analisar as diferenças de ambas escalações:

Dupla de volantes

A dupla titular tem maior movimentação e qualidade técnica. A dupla reserva tem maior senso de marcação. Com Elton e Sandro Silva, o Inter ganha opções para tentar parar Neymar, mas afunda no que diz respeito à capacidade de troca de bola. A opção por esses dois só se provará válida caso ambos consigam fazer valer seu poder de marcação. Caso contrário, não terão mais nada a adicionar ao time. Bolatti surge como a única alternativa de um volante que saiba sair jogando. Por outro lado, é lento e, por vezes, descompromissado. Tem qualidade na saída de bola, mas sua lentidão e descaso com o jogo podem custar caro contra um time que tem Ganso, Neymar e Borges na sua linha de frente, daí o porque de seu corte. A dupla de volantes titular é melhor, mas talvez para uma partida contra um time tão ofensivo como esse Santos, não será exatamente ruim contar com dois volantes marcadores por natureza. Basta que Elton, jogador que não mostrou ainda qualidades para ser titular com a camisa colorada, e Sandro Silva, jogador que costuma sempre dar um toque a mais na bola, façam o simples e estejam em noite inspirada para parar tal poder ofensivo.

Dupla de armação

Com os titulares, o Inter ganha cadência de jogo. Com Tinga e Dátolo o meio ganha intensa movimentação e velocidade, além da opção do chute de fora da área com Dátolo. D’Alessandro dita o ritmo da partida de acordo com a necessidade do time, o que não acontecerá agora. Por outro lado, o time vai ganhar uma transação mais rápida da defesa para o ataque. Mais uma vez, somente o jogo nos dirá o que teria sido melhor: a velocidade de uma formatação ou a leitura de jogo da outra. Vale lembrar, ainda, que com Tinga de armador o Inter ganha poder de marcação mais adiantada, ao mesmo tempo que o jogador também sabe jogar com a bola. Será a peça fundamental da partida.

Finalizando, os colorados tem, sim, motivos para acreditar na vitória. Embora seja um meio-campo descaracterizado, está longe de ser composto por jogadores de qualidades desprezíveis. Será, simplesmente, um estilo de jogo diferente, mas que já mostrou funcionar na melhor partida colorada em 2012. contra o The Strongest. Ali, Tinga e Dátolo fizeram o papel de armação, tal qual se desenha para quarta-feira. E aos colorados, chamo a atenção, agora, para uma coincidência importante: o meio-campo campeão da América, em 2006, era formado por Edinho, Fabinho, Tinga e Alex. Um primeiro volante bom na marcação e de deficientes qualidades técnicas; um segundo volante de movimentação, razoável marcação e razoável saída de jogo; Tinga na terceira função do meio; e um canhoto de excelente chute de fora da área, que na época nem atuava exatamente como armador, mas sim como uma peça de velocidade e arranque pelo lado esquerdo do campo. Quaisquer semelhanças com um meio-campo formado por Elton, Sandro Silva, Tinga e Dátolo é mera coincidência.

Acredite, torcedor colorado, e vá ao estádio apoiar o clube no dia em que a instituição comemora seus 103 anos de vida. Apoie com a certeza de que, com o seu grito, e com essa formação, o Inter poderá, sim, sair do jogo comemorando sua classificação antecipada para as oitavas de final. É jogaço no Beira-Rio, quarta, às 21:50h. Não perca.

Escrito por Carlos Quadros

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