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Dissecando o Gre-Nal: festa do azul, comemoração do vermelho.

O Gre-Nal de despedida do Olímpico foi de péssimo futebol, muitas jogadas ríspidas, expulsões e muita emoção. Emoção fora de campo para a torcida gremista e dentro de campo para a torcida colorada.

Não há como negar que o dia de ontem era o dia do Grêmio. Nosso tradicional rival despedia-se de um templo histórico do futebol, locais de muitas conquistas e de muitas histórias. Negar que a festa ontem, fora de campo, deveria ter as cores azul, preto e branco era insanidade. E, assim, com todo o direito, a mídia repercutiu, o dia inteiro, notícias da despedida do estádio. Usou e abusou de lances de jogos antigos e memoráveis da história tricolor. Com toda justiça, os gremistas tiveram um dia no qual, acima do próprio Gre-Nal, eles foram o destaque. Fora das quatro linhas, a emoção vestiu azul.

Foto: Lucas Uebel/ Grêmio

No entanto, não podemos esquecer que, do outro lado, havia o mais tradicional inimigo tricolor. E, assim como não podia deixar de ser, ruía, junto com o Olímpico, parte também da história do próprio Sport Club Internacional. No agora velho e aposentado estádio Olímpico, ocorreram alguns dos mais gloriosos momentos da história centenária do nosso clube. Muito perdemos lá também, é verdade. Mas o fato é que grande parte da história deste clássico gigantesco foi sediado no saudoso Olímpico. Como colorado e como apaixonado pelo futebol da nossa terra, não posso deixar de passar triste por esse fato. No entanto, afora o forte componente emocional, que vem carregado de tristeza, nostalgia e saudosismo, é inegável que nós, colorados, saímos fortalecidos deste clássico. Uma derrota cantada como certa ao longo da semana só parecia cada vez mais concreta quando o Olímpico rugiu com as expulsões de Muriel e Damião. Com nove em campo, o Inter foi heróico e bravo, como jamais havia sido em 2012. Muito tarde, talvez. Mas, como diz o ditado, antes tarde do que nunca. O componente heróico que envolveu o empate arrancado com muito suor ontem, na casa do rival, volta a criar alguma esperança de um 2013 melhor. Ou, pelo menos, serve para acabar 2012 de uma maneira não tão decepcionante. Segurar o maior rival, frustrar suas pretensões de alcançar vaga direta na Libertadores e, o principal, ter sido capaz de arrancar um empate que teve gosto de derrota para os gremistas, talvez seja muito pouco para um time que tenha um elenco tão grandioso. Mas, após um ano tenebroso, era o que poderíamos ter. E foi o que, de modo quase surreal, conseguimos. A emoção, dentro de campo, vestiu vermelho.

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O empate heróico alcançada na tarde de ontem não deve ofuscar os problemas pelo qual o Internacional passa. Passamos por um ano medíocre, recheado de lesões e crises internas. É hora de Luigi mostrar serviço. Tem soluções boas à mão, basta ver se irá aproveitá-las. São elas:

Treinador – Dunga é o nome neste momento. Tem, no seu histórico, o pró de ter contornado um ambiente tão conturbado quanto o vestiário colorado, na seleção pós 2006. Se ele não vier, pinta a opção de Oswaldo de Oliveira, um dos mais competentes e injustiçados treinadores desse país.

Preparação física – Paulo Paixão, se vier, conserta o que mais prejudicou o time em 2012. O péssimo preparo dos atletas colorados nos rendeu várias lesões e muitos finais de jogo sem fôlego algum.

Vice de futebol – Seja qual for o nome, a retirada de Luciano Davi, por si só, já é uma solução para o cargo. Está queimado com os jogadores e com a torcida. E tem razões para isso.

Elenco – É hora de ver Forlán jogar após uma pré-temporada. É hora de ver Rafael Moura melhor incorporado ao elenco e “consertar” as constantes lesões de D’Alessandro. É hora de investir em laterais qualificados e um zagueiro de confiança. Com um novo lateral-direito e um novo zagueiro, já teríamos um belo time para o próximo ano.

As cartas estão na mesa. É hora de Luigi, enfim, tentar provar sua competência.

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O Gre-Nal foi marcado por lances polêmicos. Deixo aqui minha breve análise de cada um deles:

Expulsão de Muriel e Luxa – ambas bem aplicadas. A de Muriel não precisa de explicação. Já a de Luxemburgo pode-se justificar por dois aspectos: o primeiro, é a invasão propriamente dita. A segunda, é o fato de que o treinador, em nenhum momento, como ele justificou, entrou pra apartar a briga. Ele entrou para impedir a expulsão de seu jogador, do qual somente ele se beneficiaria. Em nenhum momento seu desejo foi o de ajudar a arbitragem, como tanto tentou defender.

Expulsão de Damião – não necessita de comentários. Atitude incompreensível de um jogador que somente decai em sua carreira.

Expulsão de Loss e Saimon – ambas corretas, ambas atitudes incompreensíveis. Osmar Loss atingiu seu objetivo ao provocar a expulsão do zagueiro. Em uma atitude anti-desportiva, o interino tirou a calma de Saimon, que de forma infantil caiu na provocação, atacando o treinador colorado e fazendo tudo o que ele queria: selando o final do jogo. Ambos sujaram sua imagem, embora a imagem de um treinador sempre seja mais comprometida neste tipo de lance. Por fim, a atitude covarde do torcedor que lançou um rojão deve ser julgada e devidamente punida.

Acréscimos – o único erro da arbitragem. O último jogo do Olímpico merecia ter 90 minutos de bola rolando, mesmo com todos os problemas extra-campo. O fim precoce foi (mais) um banho de água fria na torcida tricolor na tarde de ontem.

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Adeus ao velho Olímpico. E que, no novo gigante de concreto que se ergue no Humaitá, continue a história desta que é a maior e melhor rivalidade brasileira.

Escrito por Carlos Quadros

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