- Opinião

O Inter de 2013 – Analisando o início de temporada

Com o início de campeonato gaúcho, a estréia do Inter B na competição, algumas contratações já definidas e a aproximação do fim da pré-temporada colorada, é hora de começarmos a analisar o que tem sido feito pelos lados do Beira-Rio neste início de semestre.

Foto: Jefferson Bernardes/ Internacional
Cassiano na estreia colorada no estadual. | Foto: Jefferson Bernardes/ Internacional

Contratações – definitivamente, o Inter não empolgou neste quesito, pelo menos por enquanto. A direção não somente não realizou contratações de peso, como ainda por cima se desfez de Dagoberto, um dos poucos jogadores que demonstrou algum serviço na famigerada Era Fernandão. Dagoberto era o único atacante de velocidade do time, tinha um drible diferenciado e razoável poder de finalização. Suas reposições recém contratadas, Vitor Júnior e Caio, são indubitavelmente inferiores. A saída de Guiñazu, por outro lado, faz parte do processo de renovação que venho insistindo que aconteça desde o ano passado. O volante argentino, conhecido por sua entrega e disposição, mas também por sua incrível indisciplina tática, o que foi por anos um fator que enfraqueceu o meio-campo colorado, barrava o caminho para que Dátolo figurasse no time principal. Com a sua saída, a direção buscou Willians, um nome que não empolga mas também está longe de ser descartável: tem bola o suficiente para ser titular do time e assumir a posição que era de Guiñazu; abrindo a posição para Dátolo, então, temos aí a única grande novidade positiva deste início de temporada até então. Afora isso, continuamos com a certeza de que, até o momento, as melhores contratações do Inter ocorreram na casamata, com a dupla Dunga e Paulo Paixão.

Gabriel – a grande polêmica deste início de temporada até então. Gabriel foi um dos melhores jogadores do Grêmio na época de Renato Gaúcho. Depois disso, sua carreira desandou e demonstrou sérios problemas de comprometimento profissional. Aceitou-se colocar numa zona de conforto financeiro e abandonou qualquer orgulho e objetivos que ainda tivesse como profissional. Essa contradição entre o grande jogador que é e o caráter que emergia como tão duvidoso dividiram muitas opiniões quanto à sua contratação pelo Inter. A idéia básica, todos sabemos: se quiser jogar e mostrar alguma indignação pelo tempo em que ficou encostado no rival, Gabriel pode ser a melhor contratação do Inter na temporada. Se vier como estava nos últimos tempos, será a pior. É uma faca de dois gumes. Particularmente, ainda estava indeciso quanto a sua contratação até ler a mais recente notícia vinda de Gramado: Paulo Paixão deu o aval para a contratação de Gabriel. O preparador físico, modelo de profissionalismo e competência, estava no Grêmio durante os últimos dois anos e sabe bem o que ocorreu com Gabriel enquanto estava no Olímpico. Se ele dá o aval para sua contratação, significa que podemos ter esperança na sua recuperação.

Estréia no Gauchão – a estréia do Inter no campeonato gaúcho não foi das melhores, mas a verdade é que nem mesmo a própria torcida estava esperando muito do jogo. Na ansiedade por ver o Inter de Dunga em campo, a torcida encara os jogos do Inter B como mero e enfadonho passatempo até o dia da estréia do time profissional. A surpresa negativa é que, se por um lado a torcida tem esse direito, o mesmo não se pode dizer dos jovens atletas que entraram em campo na tarde de ontem: o time que representou a nós, colorados, no Complexo Esportivo da ULBRA, não foi nada mais que um aglomerado de jovens jogadores jogando um futebol simples e sem ousadia. Para quem queria mostrar serviço ao técnico Dunga, a exibição do time foi extremamente negativa. A falta de organização tática foi simplesmente assustadora, com jogadores de meio frequentemente invertendo posições sem ao menos um sinal de que aquilo fizesse parte do que havia sido treinado. Pode ser que a ansiedade da estréia tenha afetado os jovens jogadores, e para isso estaremos ligados no jogo entre Inter e Cerâmica, na quarta-feira, para ver se é possível analisar alguma diferença de atitude. Até lá, o que fica é a imagem de um time sem criatividade e ousadia, com o centroavante Maurídes cada vez aproveitando menos as chances que lhe são oferecidas. De positivo, o já conhecido Cassiano, atacante de força, velocidade e imenso poder de indignação, e o meia Maurinho, um jogador ousado e atrevido, que ainda precisa aprender a jogar coletivamente, mas demonstrou ter o básico para fornecer alguma esperança ao torcedor: habilidade com a bola no pé. No demais, nem sombra do Inter B que, em 2010, encantou no início de Gauchão apresentando à torcida Leandro Damião e Walter.

Carlos Quadros

Escrito por Carlos Quadros

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