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Retrospectiva 2012 – Inter: Um ano para esquecer ou para aprender?

O ano de 2012 foi um ano que muitos colorados não gostam nem de lembrar. Apesar da conquista do titulo regional, o Inter fracassou na Libertadores e no Brasileiro e colecionou problemas no vestiário e na sua política. Mas discordando de alguns críticos, 2012 não é um ano para apagar e sim para que sirva de aprendizado.

A temporada de 2011 encerrou com uma vitória no clássico GreNal e vaga para disputar a pré-Libertadores. Enquanto a torcida se empolgava com mais uma disputa de Libertadores e a chance do Tri, a direção se preocupava com o início precoce da temporada com o jogo da pré-Libertadores já em janeiro e com o imbróglio que ainda estava a questão das obras no estádio Beira-Rio, ainda paralisadas.

Copa Libertadores da América

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Foto: Divulgação/ Internacional

Os gaúchos ainda curtiam e se recuperavam das festas de final de ano quando o Internacional retornou para fazer a curta pré-temporada visando os confrontos contra os colombianos do Once Caldas, nos dias 23 de janeiro e 01 de fevereiro, valendo vaga na fase de grupos da Libertadores. Uma semana antes da estreia a noticia de uma proposta do futebol chinês por Andrés D’alessandro abalou o ambiente colorado. A maior estrela do time poderia deixar o clube antes mesmo da partida contra o Once Caldas. Alguns jornalistas chegaram a afirmar que D’alessandro não jogaria o jogo de volta na Colômbia. No dia 23 de janeiro o Inter entrou em campo sob os gritos de “Fica D’alessandro”. Com medo de perder D’ale o Inter trouxe mais um argentino (já contava com Guiñazu e Bolatti além de D’alessandro.) Jesus Dátolo. O Inter venceu o Once Caldas por 1 a 0, gol de Leandro Damião e levou a Colômbia uma magra vantagem.  Na jogo de volta, na altitude de Manizales,  Inter começou levando um gol de pênalti logo as 2 minutos de jogo. Jogando de forma equilibrada e com tranquilidade, virou o jogo com D’alessandro e Tinga, e mesmo com o empate no final do primeiro tempo garantiu a vaga para fase de grupos.

Os adversários seriam Santos, Juan Aurich e The Strongest. E o desempenho foi bem abaixo de esperado. Apenas duas vitórias, as duas em casa, apenas um ponto fora de casa e no jogo contra o Santos na Vila Belmiro, derrota por 3 a 1 com direito a show de Neymar. Um dos gols concorre ao gol de ano na premiação da FIFA. Com o segundo lugar do grupo e a pior campanha entre os segundos, o Inter cruzou com o Fluminense. Com vários desfalques, o colorado ficou no 0 a 0 com o Fluminense no Beira-Rio, com direito a pênalti perdido por D’atolo. No Rio, o Inter chegou a abrir o placar com Damião, mas levou a virada e o sonho do Tri foi abreviado.

Assinatura do contrato com a Andrade Gutierrez

Durou cerca de 260 dias a paralisação das obras no estádio Beira-Rio. Mas enfim, no dia 16 de março, Inter e Andrade Gutierrez assinaram a parceria para remodelação do estádio Beira-Rio, visando a Copa do Mundo de 2014. O caso manchou a imagem do clube, que a cada vistoria da FIFA deixava exposto o atraso das obras no estádio.Porém após a assinatura as obras avançaram e o Beira-Rio já está com o cronograma emparelhado com a maioria das demais sedes. Em 2013 o Inter jogará no Centenário em Caxias até setembro, podendo se estender até dezembro, afim das obras do estádio sejam concluídas e em 2014 o colorado comece o ano da Copa com o estádio pronto.

Gauchão

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Foto: Divulgação/ Internacional

Para este ano a velha máxima do futebol gaúcho valeu. Pior que vencer, é perder o Gauchão. O primeiro turno colorado foi dividido com a Libertadores, revezando com o time B, mas o Inter conseguiu a classificação. Devido ao primeiro turno ruim do Grêmio, que culminou inclusive na demissão de Caio Júnior, deu GreNal nas quartas de final da Taça Piratini. Derrota para o rival em casa e elminação. A crise só não ficou maior porque o clube ainda estava na Liberadores e o Caxias vencerá o Grêmio na decisão do 1º turno. No segundo turno, a taça Farroupilha, o colorado sobrou no seu grupo e na eliminou Cerâmica e Veranópolis, até enfrentar novamente o Grêmio, desta vez vitória colorada e a conquista da Taça Farroupilha, credenciando o time a disputa do título estadual. Na decisão, empate em Caxias em 1 a 1, no Beira-Rio, o Inter abatido pela eliminação para o Fluminense na Libertadores, bateu o clube da Serra por 2 a 1 e levantou a taça do Gauchão 2012.

Brasileirão

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Foto: Divulgação/ Internacional

Irregular. Essa é a palavra que define o Campeonato Brasileiro de 2012 para o Inter. A equipe teve três técnicos durante a competição – um deles interino. O bom início de campeonato deu a torcida esperanças para um título nacional após 20 anos, e um brasileiro após 33. O máximo que a equipe conseguiu foi animar com uma possibilidade de vaga na Libertadores, mas que no fim se transformou em um pífio 10º lugar. O clube fez contratações bombásticas, caso de Forlán e Juan. O primeiro jogou muitas partidas, mas de longe lembrou o jogador que foi eleito melhor jogador da Copa do Mundo de 2010. O segundo sofreu muitas lesões e não conseguiu uma sequência. A venda de Oscar, as muitas lesões do craque da equipe, D’alessandro, e as seguidas convocações de Damião e Guiñazu também foram problemas. Os destaques ficaram para dois jovens no meio de muitos medalhões: Muriel e Fred. Duas gratas surpresas e que, com um time organizado, podem render mais ainda em 2013.

Com o técnico Dorival Jr. O começo de Brasileirão foi muito bom, apesar das lesões e desfalques. Vitórias contra São Paulo e Coritiba, no Beira-Rio (com atuações bastante convincentes) e empates contra a dupla Fla-Flu no Rio de Janeiro. Porém, a torcida já não aturava mais o treinando que, no primeiro jogo com o time titular, sofreu a virada para o time do Botafogo. Empatou com um Santos sem Neymar e com muitos reservas no Beira-Rio. O auge da crise que vivia Dorival tanto com jogadores como com os torcedores veio após o jogo contra o Atlético-MG, que era o líder do campeonato. Derrota por 3 a 1 e surge o garoto Fred. Dorival Jr é demitido e em seu lugar assume o ídolo Fernandão, naquele momento era diretor técnico do clube.

Fernandão também teve um início muito bom com a equipe colorada. Vitórias contra o Atlético-GO, Ponte Preta (casa), Figueirense, Palmeiras (fora). Mas empates contra Vasco e Naútico em casa diminuíram a confiança da torcida em seu trabalho, mesmo com a justificativa do estádio Beira-Rio estar em obras e não ter mais a pressão de outrora.

O fim de turno não foi dos melhores, empate com Portuguesa fora de casa e derrota para Corinthians e Grêmio, a última no Beira-Rio. O segundo turno foi o mais irregular de todos. Em um jogo goleava e nos outros três empatava ou perdia uma delas. O Inter não conseguia mais manter um padrão de jogo. Até ai “tudo bem”, mas então veio o jogo contra o Sport e a famosa frase de Fernandão na coletiva: “Estamos em uma zona de conforto”. Uma revolução parecia começar no estádio Beira-Rio. Apenas parecia. O resto do campeonato foi igual, atuações boas e derrotas inigualáveis contra adversários rebaixados. Fernandão foi demitido nas últimas duas rodadas, a direção temia um boicote no último GreNal do Olímpico, que a equipe sofresse um goleada.

Osmar Loss assume interinamente para os jogos contra Portuguesa, uma dolorosa derrota por 2 a 0 em casa e o último GreNal disputado no estádio Olímpico que surpreendeu a todos. Com nove jogadores em campo, o Inter conseguiu empatar com o Grêmio, que lutava por uma vaga na fase de grupos da Libertadores e terminou apenas com uma vaga na Pré-Libertadores. A atuação do Inter foi digna de elogios e a esperança da torcida, renovada por um time com uma preparação adequada e com contratações pontuais para, quem sabe, conquistar o Brasileirão do ano seguinte.

O Inter terminou o campeonato em 10º lugar, com 52 pontos. 13 vitórias – apenas cinco contra adversários considerados grandes. 13 empates – muitos no Beira-Rio e 12 derrotas. Os artilheiros do Inter no certame foram: Damião com nove gols, seguido de Dagoberto e Fred, com seis. Um campeonato ruim, mas que pode melhorar com uma preparação adequada no ano que vem.

Colaboração de Gabriel Corrêa

@fernandofeiden | @_gabrielcorrea

Escrito por Fernando Feiden

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