- Opinião

Analisando um elenco (muito) incompleto – Inter de 2013 não pode depender somente da genialidade de D’Alessandro

O jogo de ontem desenhava-se em um melancólico empate, pontuado por uma atuação não mais que pífia do time colorado. A disposição demonstrada pelos jogadores não era o suficiente para alcançar o segundo gol. E a razão para isso era simples: nem toda a disposição do mundo pode superar o adjetivo mais básico e necessário para se jogar futebol – a qualidade técnica.

O time formado por Dunga tem muito que se elogiar: cada jogador é dedicado e abraçado à causa do clube, demonstrando isso em cada disputa de bola e em cada gesto de indignação perante o resultado adverso; as jogadas ocorrem com naturalidade, o que indica um rápido assimilamento por parte dos jogadores das ideias do treinador; jogadores que pouco renderam em 2012 estão se tornando os destaques do time neste ano; e, por fim, não se escuta mais falar em problemas de vestiário. Além disso, há de se fazer menção honrosa ao trabalho de Paulo Paixão: o time, enfim, está correndo até o fim dos jogos. Parabenizo quem lembrar a última vez que o Inter passou por um período parecido no passado recente. No entanto, falta ao time de Dunga a premissa mais básica para se jogar futebol. A grande maioria do elenco possui raros atributos técnicos. Se esse problema já se enxerga no time titular, o que dizer quando olhamos um banco de reservas que possui Gilberto, Airton e Vitor Jr como as principais opções?  O que pensar quando, no início do jogo de ontem, vimos que as opções para reposição aos titulares Willians, Ygor e Forlán eram Josimar, Airton e Caio? E, por favor, não me digam que Josimar está jogando bem. Contentar-se com o seu futebol neste momento é prova clara de que não temos elenco para encarar 2013.

Voltando ao jogo de ontem: a partida estava perto de se encerrar. Mas, aos 41 minutos do segundo tempo, surge, com a habitual maestria, o camisa 10 D’Alessandro. O toque de categoria que faltava a um time esforçado, mas muito limitado. Com precisão milimétrica, a cobrança de falta de D’Alessandro passou centímetros acima da barreira e dormiu no fundo das redes do São Luiz.  Mas o que fazer quando o gringo estiver mal? O que fazer quando ele não puder jogar? Estamos passando por uma dependência assustadora de nosso camisa 10. Afora Forlán, não existe outro jogador, além de D’Alessandro, que seja capaz de desequilibrar uma partida a nosso favor. A prova disso está escrita no parágrafo anterior: passamos por um período no qual o (não mais que razoável) futebol de Josimar é exaltado pela torcida colorada. Passamos por um período no qual Fred é visto como peça fundamental do esquema do time, e Willians é a grande contratação da temporada. Não é possível se contentar com tão pouco. Até o momento, contra times do interior, os chutes de Forlán e a qualidade de D’Alessandro tem sido o suficiente para mantermos a senda de vitórias. Mas será possível manter tal ritmo no brasileirão ou na Copa do Brasil? Após o que foi visto ontem, a resposta é um claro “não”.

Para melhor se compreender o que quero dizer, basta olhar setor por setor deste elenco montado até o atual momento:

Goleiros – Muriel é um goleiro bom. Não é genial, mas transmite segurança e tem personalidade. Seus reservas são perfeitamente capazes de suprir sua ausência. Setor aprovado.

Laterais – Gabriel na direita é o grande acréscimo de qualidade neste ano. Kléber e Fabrício são duas ótimas opções para o lado esquerdo. Setor aprovado.

Zaga – Moledo e Juan, dupla indiscutível firmada neste Gauchão. No entanto, não há peça de reposição. Índio é a única opção, mas tem idade avançada. Ronaldo Alves nunca demonstrou ter qualidade o suficiente para brigar por posição no time titular. Setor sob observação.

Volantes – Ygor e Willians são as duas melhores opções. No entanto, não podem ser considerados mais que jogadores razoáveis. Para um time que deseja brigar pelo título de campeão brasileiro, seria recomendável um jogador indiscutível para a posição. Josimar como opção é, no máximo, mediano. Já Airton chega a Porto Alegre sob desconfiança. Setor sob observação.

Armadores – D’Alessandro é o camisa 10 e o craque do time. Dátolo é seu melhor parceiro para a função. Fred é jovem e ainda imaturo, não pode ser mais que opção no banco. Em resumo: falta um substituto para D’Alessandro. Setor incompleto.

Atacantes – Forlán é indiscutível. Damião tem habilidades natas de centroavante, mas está longe de ser o que se esperava que ele fosse. Além disso, suas habilidades não se completam com as de Forlán. É titular, mas longe de ser o craque decisivo que se imaginou que ele seria. Como opções, Caio demonstrou ser esforçado e dono de razoável qualidade técnica. Opção interessante para ser banco. Já Vitor Jr. e Gilberto caracterizam-se pela total inoperância. Setor incompleto.

Visto isso, podemos concluir que, na atual conjuntura dos fatos, não podemos sonhar com o título de campeão brasileiro de 2013. O time já demonstrou ter assimilado as ideias do treinador, ter preparado físico qualificado e vontade de vencer. Falta, agora, construir elenco. Temos uma comissão técnica qualificada e jogadores de excelente qualidade. Com o acréscimo de algumas peças, teremos o único fator que ainda falta: plantel consistente para encarar um ano de competições. E a Copa do Brasil começa em duas semanas…

Carlos Quadros

Escrito por Carlos Quadros

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