- Opinião

Classificação à base do preparo físico escancara limitação do elenco

Resultado de 2 a 0, classificação garantida e missão cumprida. Do ponto de vista objetivo, o Inter de hoje, no Acre, foi perfeito. No entanto, do ponto de vista subjetivo, o Inter atuou mal como nunca havia atuado em 2013. É de fundamental importância, para o futuro do Inter neste ano, que o resultado final não esconda as lições trazidas por esse jogo.

DEPENDÊNCIA DE D’ALESSANDRO – Neste mesmo espaço, na semana passada, abordei a questão da dependência vivida pelo time do Inter por parte de D’Alessandro. O gringo não é somente o melhor jogador do time; ele é, também, a única peça capaz de desequilibrar um jogo a favor do time. Afora D’Alessandro, o Inter pode viver de algum chute ocasional de Forlán, de um cabeceio certeiro de Damião ou, como foi hoje, do preparo físico. Quanto aos demais jogadores, por mais que tenhamos algumas boas peças, nada parece funcionar quando o gringo não está em campo. Querem a prova? Olhem as estatísticas do time com ele e sem ele neste ano. Ou, mais simples ainda, assista ao teipe do jogo de hoje. No Acre, contra o medíocre Rio Branco, o Inter foi vitimado com a expulsão injusta de D’Alessandro ainda no primeiro tempo. O que se viu, após isso, foi muita vontade e nenhuma inspiração. Vivemos um período de assustadora dependência de nosso camisa 10. Se, sem ele, jogamos de igual para igual contra o Rio Branco, o que faremos quando enfrentarmos times de grande porte?

OS PIORES DO JOGO – Dátolo foi mal. Aliás, muito mal. Com a expulsão de D’Ale, coube a Dátolo organizar o time. E, mais uma vez em 2013, o jogador não correspondeu. É preciso dar tempo ao argentino, é verdade. Ele volta de lesão e, no passado, já mostrou ter qualidade técnica. Ainda assim, ele continua a decepcionar, e sua partida hoje poderia ter comprometido a classificação na primeira partida. Fabrício também jogou mal, repetindo as péssimas atuações dos últimos jogos no gauchão. Não acertou cruzamento algum, errou passes bobos e optou diversas vezes pela jogada errada. Se continuar nesse ritmo, perde a vaga para Kléber, assim que este retornar de lesão. Por fim, Aírton demonstra aquilo que já conhecíamos dele: bate muito, passa mal e tem péssima saída de jogo. Serve contra o Rio Branco, mas servirá para um brasileirão aonde enfrentaremos Corinthians, Fluminense, entre outros? Provavelmente não.

OS MELHORES DO JOGO – Caio mudou o jogo Afirma-se como a única opção real para melhorar o time vindo do banco. Precisa de um desafio maior, é claro, mas é inegável que tem jogado bem e se firmado como excelente opção para Forlán ou, até mesmo, para Damião, conforme se viu hoje. Outra grande atuação foi do zagueiro Juan, que cresce a cada partida. No primeiro tempo, no pior momento do Inter no jogo, Juan marcou bem, saiu para o jogo e demonstrou a calma que um veterano com longa passagem pela seleção deve ter. É indiscutível.

PREPARO FÍSICO – Hoje, foi fundamental. Aliás, tem sido assim ao longo do ano. Nos últimos quatro jogos, o Inter sempre marcou após os 40 minutos do segundo tempo. Mérito de Paixão, grande contratação colorada para essa temporada. Claro que Caio entrou bem e mudou a partida, mas a verdade é que, enquanto o Rio Branco parou após a metade do segundo tempo, o Inter continuou correndo até o fim. Não por acaso, os gols só surgiram na segunda metade do segundo tempo. Não fosse a superioridade física, provavelmente nem o Caio entrando como entrou seria capaz de conduzir o time aos dois gols da classificação. Aí reside, junto à afirmação de Juan e à revelação de Caio, a notícia positiva tirada desta partida. O Inter, em 2013, voa baixo.

FUTURO NA COPA DO BRASIL – A classificação veio. O importante agora é não nos esquecermos das lições tiradas. Um elenco que somente é capaz de eliminar o Rio Branco do Acre graças ao melhor preparo físico precisa, claramente, de reforços urgentes. E, cada vez mais, um substituto para D’Alessandro se faz como contratação chave para o restante do ano. Caso contrário, o sonho do Bi deverá ficar somente no sonho mesmo.

 

Carlos Quadros

Escrito por Carlos Quadros

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