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Saiu do Horto e tá vivo

Porto Alegre, 18 horas de uma quarta-feira fria de um inverno que, aos poucos, se avizinhava. Colorados voltavam de seu trabalho com o pensamento distante. Seus corpos estavam na capital gaúcha, mas a cabeça estava há cerca de 1,3 mil quilômetros dali. Pensava-se apenas no estádio Independência, em Belo Horizonte. Onde qualquer um que caia lá, sempre morria. Se perguntasse a qualquer colorado sobre o resultado, ele diria “0 a 0 lá é vantagem pra nós”. Devido à pressão que as equipes sofrem no alçapão atleticano.

Quatro horas depois, o Inter visitaria o Atlético Mineiro pela Copa Libertadores da América. Televisões ligadas para a narração de um cara que via charme em tudo. Na escalação inicial, um baque. O craque do time e o principal jogador do Inter no banco de reservas. Ao sair a escalação, lia-se no Twitter muitos “Poxa, Aguirre” (pra não falar outra coisa).

Era o jogo do ano. A partida mais emocionante da rodada da guerrilha libertadora. Uma torcida assustadora se esgueirava no Horto. Muitos já cambaleando depois de uma boa resenha etílica nos arredores do estádio. Com a escalação levemente errônea, os guerreiros de Aguirre foram a campo. Nas preliminares da partida, um argentino simplesmente acabou com um jogo no outro lado do oceano. Mas, do lado de cá, se tinha a emoção do futebol efervescendo nas arquibancadas pelo amor à cancha.

O colorado foi à campo com um peso gigante nas costas. Segurar uma equipe quase imbatível em casa. Mas, o argentino do lado de cá, Lisandro, mostrou que poderia se sonhar mais. Aos 2 minutos, abriu o marcador. Calando um Independência aquecido. Mostrando um Internacional em chamas. Porém, veio o primeiro balde de água fria da noite. Gol do Galo. Douglas Santos. A partir dali, a solução colorada seria segurar o empate e partir ao heroísmo no luxuoso novo Beira-Rio. O gol acendeu o estadio e a partida ganhou ar de Copa do Mundo. Duas equipes de velocidade se pressionavam o tempo todo. Foi lindo de se ver. Mas, o Inter, que precisava do empate, segurou-se bem.

Conseguiu, com certa facilidade, aguentar o Galo CACAREJAR no primeiro tempo. Apesar da pouca posse de bola. Todos esperavam D’Alessandro ou Valdívia para a segunda etapa. Aguirre mostrou que tem COJONES e voltou com a mesma equipe. Alex, capitão da equipe, estava desligado. Faltava algo àquela equipe. Faltava um POKO de velocidade nas pontas. Ousadia. Então, Aguirre chamou D’Ale e Valdívia como quem chama Batman e Robin para salvar pessoas num prédio em chamas.

No primeiro lance da dupla na partida, D’Alessandro cruzou para Alan Costa, que escorou para Valdívia escorar um POKO para o fundo da rede. Aguirre, mais uma vez, mostrou a importância dele para o time. Fez as mudanças na hora certa. O futebol demonstrado pelas equipes? Digno de “Europa”, como diriam os entusiastas do futebol moderno. O VOLANTE D’Alessandro em noite que lembrava GUIÑAZU, tamanha entrega e marcação forte nos adversários. Deu até CARRINHO. Marcou como poucos. Alisson fez contorcionismo para salvar algumas e muita sorte com outras. Numa delas, FERNANDÃO deve ter tirado ela de peixinho.

Caiu no Horto, não tá morto. Mas o anfitrião ainda respira por aparelhos graças a um bate rebate DESGRAÇADO na área colorada aos QUARENTA E NOVE do segundo tempo. A bola sobrou para Leonardo Silva, aquele mesmo autor do gol épico na final contra o Olímpia em 2013, que mandou para as redes. Terminou. 2 a 2. A classificação é palpável, mas ainda falta um round com 90 minutos de CHAMAS no Beira-Rio.

Resultado ótimo para o time de Aguirre. Se perguntar a qualquer colorado sobre o placar, ele responderá “ruim”. Porque essa é a magia do futebol. Ainda mais na partida que presenciamos hoje. Foi como uma dose de Whisky. Saborosa no começo, mas amarga no final. Os Deuses do futebol, mais uma vez, deram as caras no horto.

Escrito por Cassiano Cardoso

Estudante de jornalismo. Apaixonado por futebol e séries. Possuo um stand-up diário de piadas ruins. Como jogador, sou um ótimo blogueiro.
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