- Opinião

A queda de Rui Costa

Ainda na Argentina, envolto por uma atmosfera de muita pressão e cobrança em cima de seus 1263 dias ocupando o cargo de executivo de futebol do Grêmio — de 20 de novembro de 2012 até 5 de maio de 2016 — Rui Costa foi a lona ao entregar o cargo após a eliminação para o Rosário Central nas oitavas de final da Libertadores da América.

Apesar de sempre ter mostrado muito profissionalismo, discursos refinados e postura elegante, a verdade é que o trabalho do ex-dirigente nunca fui unanimidade entre os torcedores gremistas. Com um início animador, Rui começou seu trabalho na gestão Fábio Koff, aliado ao técnico Vanderlei Luxemburgo e fazendo contratações de peso como André Santos, Cris, Eduardo Vargas e Barcos. Contudo, apesar do alto investimento, a equipe não teve o sucesso esperado e os grandes destaques acabaram sendo os jovens Ramiro e Alex Telles que haviam recém chego do Juventude.

De lá para cá, em 41 meses de trabalho, Rui Costa trabalhou com diferentes perfis de treinadores, desde mais prestigiados como Renato Gaúcho e Felipão até por emergentes como Enderson Moreira e agora Roger Machado. Ainda, passou por conturbadas e diferentes políticas financeiras como por exemplo os grandes investimentos na gestão Koff, até a austeridade implantada por Romildo Bolzan Jr.

Apesar da derrota na Libertadores de 2016 ter sido o momento de transbordo do copo, o executivo colecionou eliminações em pouco mais de três anos no cargo — ao todo foram onze, na atual temporada já se acumulavam três. Em 2013 o tricolor acabou caindo fora de três competições, no ano seguinte foram outras três e em 2015 a seca gremista continuou com outras duas eliminações.

Foto: Lucas Uebel/ Grêmio
Cesar Pacheco, Wallace Oliveira e Rui Costa. Lateral ainda está devendo para a torcida. | Foto: Lucas Uebel/ Grêmio

Em grenais o histórico do ex-dirigente não é mais animador. Apesar da vitória por 5×0 em agosto de 2015 e por 4×1 em novembro de 2014, ao todo foram 15 clássicos disputados com duas vitórias, seis empates e sete derrotas.

Contudo, o grande estopim da demissão de Rui Costa e motivador da maior parte das críticas recebidas pela torcida e internamente por dirigentes é o baixo aproveitamento técnico em suas contratações. O executivo contratou o espantoso número de 48 jogadores em 41 meses — quantidade suficiente para montar mais de quatro equipes.

Entre os sucessos do ex-dirigente estão as contratações dos zagueiros Pedro Geromel e Rhodolfo, dos laterais Wendell e Alex Telles, do meia Giuliano e dos atacantes Barcos, Bolaños e Henrique Almeida. Porém, as decepções foram as grandes marcas de sua gestão. Na lista de maiores insucessos então os laterais Matías Rodriguez, André Santos e o recém-chegado Wallace Oliveira, os zagueiros Kadu, Cris e Gabriel, os meias William Schuster, Jean Deretti, Rodriguinho e Christian Rodriguez, além dos atacantes William José, Paulinho, Welliton, Fernandinho, Braian Rodriguez e Vitinho.

Agora, o torcedor gremista aguarda que o presidente Romildo Bolzan Jr escolha o novo vice de futebol que substituíra o afastado Cesar Pacheco — Alberto Guerra, ex-assessor na gestão Duda Kroeff é o mais cotado —, para que o mesmo tenha autonomia na escolha do substituto de Rui Costa.

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