Conexão Grenal

Quando nasce uma colorada

Foto: Ricardo Duarte/ Inter

Eu tinha 7 anos quando minha mãe me explicou porque as ruas se dividiam em azul e vermelho. E foi durante um campeonato gaúcho que me decidi entre um ou outro. Eram tempos azuis. O Tricolor era campeão brasileiro, mas em 1997 foi o Inter quem terminou vitorioso. Eu vi pela TV o gol que pintou o Rio Grande do Sul de vermelho. Fabiano deu uma arrancada, entrou como um foguete na grande área e chutou. Gol! O Beira-Rio explodiu em alegria. Aquilo ali encheu meus olhos de lágrimas e eu soube por quem o meu coração batia mais forte. Saí gritando aos quatro ventos que o Inter era campeão.

Os anos que seguiram, no entanto, foram complicados. O RS era vermelho, mas os elogios eram sempre azul, preto e branco. Durante anos ouvi as histórias do meu pai. De quando ele levou um tijolo para ajudar na construção do Beira-Rio ou ainda quando pagou o equivalente a 1 Real para assistir da Coreia a partida de inauguração do Gigante. Inter e Benfica ficou gravado na memória dele e na minha quase que como um filme. Os gols de Claudiomiro e Gilson Porto em cima do timão de Eusébio foram emocionantes. Minha história por este time, portanto, começou muito antes de eu nascer.

Ontem, das arquibancadas, de mãos dadas com minha sobrinha, comemorei como se eu fosse criança. Nos nove anos de vida dela, ela pode ver o nosso Inter no topo do pódio seis vezes. A história da pequena Lulu não poderia ser mais vermelha, ela chegou ao mundo no ano mais lindo para os Colorados, quando conquistamos a América e depois batemos o “imbatível” Barcelona, de Ronaldinho, Deco, e companhia. Ao final da partida desde domingo, depois de ver o goleiro Alisson levantar a taça, ela disse: “meu coração sempre foi vermelho” e decidimos juntas que iremos a mais partidas de mãos dadas – para dar sorte.

Repeti o gesto que uma vez minha mãe teve e ensinei a uma pessoa pequena a diferença entre o vermelho e o azul. Ela entendeu direito. Que o Colorado siga com a senda de vitórias e nos traga mais taças. Queremos uma sala ainda mais cheia delas. Queremos o mundo novamente.

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