Zagueira que já defendeu Inter, brilha nos EUA e na Seleção Brasileira

Zagueira que já defendeu Inter, brilha nos EUA e na Seleção Brasileira

13/05/2016 4 Por Bruna Marçal Cabrera

A zagueira da Seleção Brasileira Monica Hickmann Alves (@MonicaHickmannA) tem tudo para não passar despercebida no Rio Grande do Sul, no entanto, poucos conhecem este fenômeno do futebol feminino. Gaúcha nascida em Porto Alegre, ela já atuou pelo Internacional, onde começou carreira, mas admite que o coração bate mais forte pelo Tricolor. “Tenho um carinho grande pelo Inter pois foi ele quem abriu as portas para mim lá no começo, em 2003”, diz ela lembrando os tempos quando ainda não pensava em ser jogadora profissional. “Na verdade eu demorei para perceber que seria uma carreira. No começo era mais diversão mesmo”, conta em entrevista exclusiva para o Conexão Grenal.

A atleta de 29 anos também já passou pelo time austríaco SV Neulengbach, além do Ferroviária, atual campeão da Libertadores da América, Flamengo e joga desde este ano no Orlando Pride, dos Estados Unidos. Monica expressou vontade de voltar para casa e encerrar a carreira jogando por um dos clubes gaúchos, mas admite que as probabilidades são quase nulas, já que ambos os clubes não investem na categoria. “Eu queria poder ter a oportunidade de jogar profissionalmente pelo Grêmio ou pelo Inter e quem sabe encerrar a carreira, mas acho que este desejo é quase impossível de ser realizado, ainda mais vendo a evolução da modalidade. Nosso estado que já foi um dos mais fortes no futebol feminino”, lembra ela.

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Foto: Rafael Ribeiro/ CBF

Inicio da carreira

Como a maioria dos jogadores e jogadoras de futebol, Monica começou ainda criança jogando bola na rua com os amigos. “Eu brincava de qualquer coisa na escola e tentava todos os esportes, mas o futebol era e ainda é a minha maior paixão. Então acabava sempre jogando futebol na rua”, conta. A jogadora afirma que sempre recebeu apoio dos amigos e da família. “Minha família nunca falou nada até por que se eu estava brincando ou fazendo algum esporte era o que importava. Então sempre tive muito apoio”, revela.

No entanto, o início da carreira profissional não foi tão fácil. Depois de passar pelo Inter e pelo Marília, Monica foi contratada pelo SV Neulengbach, da Áustria, onde ficou de 2007 a 2012. Depois, a jogadora tentou dar mais uma oportunidade ao futebol brasileiro e voltou para Botucatu. Em três anos passou por dois clubes além do já citado: Foz Cataratas e Ferroviária, onde jogou duas temporadas. Em 2015 defendeu o Flamengo e agora defende o Orlando Pride, clube que é parceiro do Orlando City, onde joga o Kaká.

Futebol feminino no Brasil

Para Monica, não é só o futebol feminino que precisa de mais atenção no Brasil. Segundo ela, a mudança precisa começar na base, na educação. “Nosso país precisa melhorar muitas coisas, mas talvez devesse começar pela educação. O que poderia nos ajudar é a melhoria das estruturas nas escolas e faculdades, e começar ali o incentivo pelo esporte. Falo isso porque foi onde eu realmente percebi que poderia ser uma atleta um dia. Porque meus professores sonharam primeiro que eu”, revela Monica.

Segundo a jogadora, a nossa cultura tem que mudar para que haja mais oportunidades, não só para o futebol feminino ser adorado pelos brasileiros, mas também muitos outros esportes que sofrem para ter apoio e patrocínio para treino ou viagem para competições. “Nós não temos espaço para gostar ou se apaixonar por outra modalidade no Brasil. O que a gente vê é só o futebol masculino”, enfatiza Monica.

Para as meninas que desejam ser jogadoras profissionais, Monica deixou um recado: “Ame o que faz. Faça com carinho, se dedique com paixão e lute com todas as tuas forças. Se for teu destino, e se Deus quiser, vai acontecer. O esporte te trará não só alegria, mas muito mais. Vocês vão amadurecer e conhecer outras culturas e a saudade de casa vai fazer vocês darem valor a cada dia e a cada competição. Sejam felizes!”, completa.

Foto: Divulgação/ Orlando Pride

Foto: Divulgação/ Orlando Pride

Seleção Brasileira

Em 11 de junho de 2014, aos 27 anos, Monica fez sua estreia pelo grupo principal da Seleção Brasileira. A partida foi amistosa, em Guiana, e o placar acabou 0 a 0. A zagueira, no entanto, também é artilheira, e marcou seu primeiro gol com a amarelinha em uma partida que acabou 7 a 1, contra o Equador, em 2015, pelos jogos Pan-Americanos. Nesta oportunidade as meninas do Brasil foram campeãs. A final foi disputada contra a Colômbia e a partida terminou 4 a 0 para a Seleção. No mesmo ano, Monica foi convocada para a Copa do Mundo do Canadá, onde participou de quatro partidas. O Brasil ficou sem o título, sendo eliminado ainda nas oitavas de final, mas foi considerado o time com a melhor defesa da fase de grupos.

Para as Olimpíadas, Monica quer que a Seleção dê o máximo para fazer bonito em casa. “Eu espero o melhor de nós, pois estamos nos preparando. Agora quando chegarmos lá temos que ter sabedoria calma e frieza nos momentos difíceis, pois não estamos sozinhos nessa preparação. Por isso, temos que estar prontas para tudo. Sinto uma energia muito boa”, completa confiante.