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O fomento ao empreendedorismo do lado do Grêmio

Por Rogério do Espírito Santo e Thales Barreto

O Grêmio percebeu a comunidade ao redor da Arena como uma grande oportunidade para exercer a responsabilidade social. E a proposta tricolor vai além de apenas ter mais proximidade com a comunidade local. O Grêmio está fomentando o empreendedorismo e o desenvolvimento socioeconômico, para cerca de 50 mil pessoas, moradores dos bairros Navegantes, Humaitá e Farrapos. Inicialmente a ideia era apenas integrar os moradores dos bairros do entorno em diversas atividades.

Em uma reunião do Departamento de Responsabilidade Social (DRS) foi cogitada a ideia de verificar quantas famílias das comunidades não eram beneficiadas pelo programa Bolsa Família. Foi nesse momento que Marco Fumegali, integrante da DRS, percebeu que a ideia era boa mas não traria renda para as famílias. “Porque a gente não chama o Sebrae para fazer uma parceria e dar cursos de empreendedorismo para a comunidade”, conta ele. A ideia foi adiante e o projeto foi formatado para despertar o interesse do Sebrae. Tudo começou com a derrubada positiva de certos mitos junto à comunidade. “Percebemos que o pessoal tem medo de se tornar empresários porque estão acostumados a atuar à margem do governo, sem ter de se preocupar com a formalização”, conta Fumegali. O Sebrae deu uma palestra sobre o empreendedorismo e microempreendedor individual. “As pessoas perceberam que no MEI tu te legalizas com um custo muito baixo, não precisa de contador, tu tens muito mais benefícios do que custos”, diz ele. Daí em diante, com a aceitação da comunidade, a ideia deslanchou. Foram oferecidos três módulos de cursos em parceria com o Sebrae com os temas como registrar o negócio, boas práticas de alimentação e sei controlar o meu dinheiro. “A ideia é ajudar o empreendedor no seu desenvolvimento.

Marco Fumegali já tem experiência de longa data com o empreendedorismo. Na década de 90 foi instrutor do programa Brasil Empreendedor e ministrou várias palestras do curso. “Eu percebi que a vida das pessoas muda quando elas podem empreender”, revela. Fumegali diz que a missão agora é preparar o pessoal para aproveitar as oportunidades. “Sempre tem gente aqui no entorno, comprando ingressos ou vendo o que está acontecendo”, explica ele. “A ideia é ajudar os comerciantes a profissionalizar seus negócios, porque eles não vão preparar alimentos, por exemplo, apenas nos dias de jogo”, conta. Os participantes ganham certificado do Sebrae. “Eles têm de assistir todos os módulos do curso para ganhar o certificado”, ressalta Fumegali.

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A FCDL – Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Rio Grande do Sul – é outra parceria do Grêmio. “A FCDL tem uma outra metodologia, os cursos à distância. Nós já acertamos com eles um curso que começa presencial, para avaliar qual o potencial de ser realizado à distância, quem pode receber uma senha para acessar os cursos na web”, conta Fumegali. Segundo Leonardo Neiras, Diretor Administrativo da FCDL, o primeiro desafio é levar os empreendedores da região ao nível de formalidade necessária para aproveitar todos os benefícios de estar formalizado, o segundo desafio é mostrar para eles as vantagens, os benefícios de participar de um programa criado para ajudar pequenas empresas. “Nós temos pesquisas que mostram que quase 70% das empresas que participam dos nossos programas melhoram a sua lucratividade. Isso indica o quanto é importante você fazer a gestão correta dos processos dentro da empresa”, explica Neiras.

“A maioria dos empreendedores da região do Grêmio faz suas vendas informalmente, eles fazem na tentativa do acerto e do erro, não existe uma metodologia. O que nós já estamos estruturando com a diretoria do Grêmio é um programa de educação, inclusive envolvendo o próprio Sebrae, onde a gente possa dar uma base de conhecimento mínimo, para que o empreendedor entenda o que vai se abordar”, conta Neiras. Segundo o administrador da FCDL, o perfil do empreendedor em torno da Arena é tradicional, porém com algumas dificuldades, mas a ideia é disponibilizar uma consultoria completa, com dez cursos e tudo começa com um ciclo preparatório, para que o empreendedor local possa entender perfeitamente a abordagem que será apresentada.

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