- Opinião

O Inter na velocidade terrível da queda

Quantos sonhos em sonhos acordo aterrado
À terrores noturnos minha alma se leva
É um insight soturno‚ é o futuro passando
Na velocidade terrível da queda
Na velocidade terrível da queda

Eleito no final de 2014, Vitório Píffero não renovou contrato com Abel Braga e disse que queria Tite. O treinador acabou fechando com o Corinthians. Houve especulação sobre o nome de Mano Menezes, que o presidente disse não ter perfil para treinar o colorado. Acabou chamando Diego Aguirre, um treinador estrangeiro, como Píffero havia negado que contrataria semanas antes.

Foto: Vitor de Arruda Pereira / Especial
O Campeão voltou! Foto: Vitor de Arruda Pereira / Especial

Mesmo com um grupo limitado, Aguirre levou o Inter até a semifinal da Copa Libertadores, só caindo para o forte e milionário time do Tigres, do México. Como a sequência era ruim no Brasileirão, Aguirre foi demitido três dias antes do clássico grenal 407 para criar um “fato novo” no vestiário colorado. Eis o começo da queda do Internacional. O clássico termina 5 a 0 para o Grêmio.

Ante o colapso final a vertigem
Próximo ao chão a penúltima descoberta
Que a lógica violenta das cores tinge
A velocidade terrível da queda
A velocidade terrível da queda

Seguindo o exemplo do coirmão, Píffero contratou Argel Fucks para o comando técnico colorado. O treinador conseguiu recuperar o time e brigar por uma vaga na Libertadores de 2016, entretanto ficou de fora da competição continental. O torcedor ignorou que o elenco que acabou conquistando o Hexacampeonato gaúcho e a Recopa estadual era fraco.

Foto: Divulgação/ Inter
Pezinho no chão. Foto: Divulgação/ Inter

O começo no brasileiro foi eletrizante. Com o pezinho no chão o Inter chegou a liderança do campeonato. A sequência de derrotas começou após uma vitória convincente diante do Atlético Mineiro. A partir daquele momento, o colorado acumularia uma sequência de mais de 15 jogos sem vencer. Culminando com uma vitória em 20 partidas. Nico Lopez e Seijas chegaram ao colorado, mas Argel não conseguiu desenvolver um trabalho com a dupla.

Como cair do céu é tão simples
Queda que a tudo e a todos transtorna
Ah! As bombas‚ a chuva‚ os anjos e os loucos
O mundo todo na velocidade terrível da queda
O mundo todo na velocidade terrível da queda

Sai Argel, entra Falcão. Menos de um mês depois, sai Falcão, entra Celso Roth e a Swat Colorada. As derrotas seguiam se acumulando, mesmo com o time começando a apresentar uma maior consistência defensiva. A entrada de Roth no comando do Inter acabou fazendo com que Seijas perdesse espaço e poucas vezes ele foi escalado.

Foto: Ricardo Duarte/ Inter
Foto: Ricardo Duarte/ Inter

Entre setembro e outubro, o Inter teve o que podemos chamar de a melhora da morte. O Beira-Rio lotado fez a diferença e, na raça, o Inter conseguiu somar pontos preciosos para sonhar com a fuga do rebaixamento. Porém Roth seguiu atrapalhando o time, que viu sua confiança voltar a ficar minada. Na Copa do Brasil, uma vitória com o time reserva diante do Santos e uma classificação para a semifinal embalaram o sonho de todos. Dois jogos pegados com o Atlético Mineiro e, mesmo com a eliminação, a sensação de dever cumprido existia. O empate, em casa, diante do Santa Cruz foi o balde de água fria nos colorados.

Resvalando em abismos um pôr-do-sol furioso
Que a sensação de perda ao ver exagera
É o desespero vermelho de um apocalipse luminoso
Ejaculado na velocidade terrível da queda
Ejaculado na velocidade terrível da queda

Perder para o Palmeiras, em São Paulo, é aceitável, mas a derrota acabou jogando o Inter de novo no calvário da zona de rebaixamento. Após uma parada de dez dias, Celso Roth dá uma declaração dizendo que se o time não vencesse a Ponte Preta “caminharia rumo ao desconhecido”. Como a peleja terminou empatada, Roth acabou sendo demitido. Lisca, que participou da queda do Joinville para a série C, foi o escolhido para comandar o clube nas três últimas partidas.

Foto: Ricardo Duarte/ Inter
Foto: Ricardo Duarte/ Inter

Depois de abandonar seu amigo Fernando Carvalho no campo de batalha, Píffero ressurgiu para esbravejar contra um apitador despreparado que falhou em um Corinthians e Inter, em Itaquera. O colorado, que não fazia boa partida, acabou derrotado após um penal inexistente. Faltavam duas rodadas para o final do Brasileiro e o Inter estava virtualmente rebaixado.

O jogo diante do Cruzeiro poderia sentenciar o rebaixamento colorado. O que se viu foi a direção preparando um esquema de quem não confiava no resultado positivo. De quem não se garantia. Tapumes e isolamento. Grades protegeram o Beira-Rio, mas Piffero e sua turma esqueceram que o Inter tinha Valdivia. Que arrancada. Que gol. O Internacional ainda respirava no Brasileirão. Tudo ficou para a última rodada.

Foto: Ricardo Duarte/ Inter

Um acidente trágico dizimou o time da Chapecoense, que caminhava para a final da Copa Sul-americana. O Brasileirão tem sua última rodada adiada em uma semana, e os dirigentes do Inter acabaram se atrapalhando em declarações equivocadas. No campo de Mesquita, Rio de Janeiro, o Inter de Lisca foi apático. O resultado de 1 a 1 foi justo diante de um Fluminense em férias. Time grande também cai.

Diante do medo um sorriso aeróbico
Nas bochechas a câimbra de uma alegria incompleta
Nada como um sorriso burro e paranóico
Para não perceber a velocidade terrível da queda
Para não perceber a velocidade terrível da queda

A Queda – Lobão

Escrito por Thales Barreto

Sou Thales Barreto, 34 anos, jornalista e pós graduado em Influência digital: Conteúdo e Estratégia pela PUCRS, especialista em WordPress e em produção de conteúdo para a web.
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