Dificuldades contra o Brasil são mais importantes para o Grêmio que as vitórias fáceis no Gauchão

Dificuldades contra o Brasil são mais importantes para o Grêmio que as vitórias fáceis no Gauchão

18/02/2019 0 Por Vladson Ajala

Depois de quatro goleadas seguidas no Gauchão, o Grêmio tropeçou neste domingo, dia 17, e ficou no 0-0 com o Brasil de Pelotas no Estádio Bento Freitas, no confronto entre o líder e o lanterna da competição. Foi um jogo equilibrado, com muita disposição do time xavante e que expôs algumas dificuldades do tricolor. Um aspecto que, se bem usado, pode ser mais importante para a equipe que as vitórias fáceis das partidas anteriores.

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O Grêmio tem sobrado no estadual pela superioridade técnica e o entrosamento do seu time, mas também pela fragilidade dos adversários, que nem mesmo tem oferecido uma marcação forte e organizada. Pois o Brasil, que luta contra o rebaixamento no Gauchão, conseguiu impor ao time gremista maiores dificuldades. Não permitiu o tradicional domínio no meio-campo, deu poucos espaços e até atacou com perigo, principalmente pelo lado direito.

O maior grau de dificuldade da partida expôs alguns problemas do time alternativo do Grêmio: saída do meio-campo não funcionou com Michel e Rômulo, Jean Pyerre apareceu pouco, Montoya não se achou pela direita, Vizeu ficou isolado no ataque e o lado esquerdo da defesa deu espaço.

Técnico interino na ausência de Renato, Victor Hugo Signorelli não soube corrigir o time. Sem Maicon e Matheus Henrique, a opção por Michel e Rômulo era a mais óbvia. Mas acabou não funcionando. Nenhum dos dois conseguiu ditar o ritmo do jogo a partir da transição da defesa para o ataque, o que somado à baixa participação de Jean Pyerre tirou uma das principais características do time, isto é, o domínio do meio.

Foto: Lucas Uebel/ Grêmio
Foto: Lucas Uebel/ Grêmio

Montoya pela direita também estava um tanto perdido – o que é natural, já que ele não costuma jogar naquela posição e deve levar um tempo para se adaptar. Por isso, quando o Signorelli tirou o argentino para colocar Éverton, eu penso que ele poderia ter sido mais ousado e tirar Michel ou Rômulo, formando um 4-1-4-1 com Montoya e Jean Pyerre por dentro, Pepê e Éverton pelos lados.

Quando Juninho Capixaba foi expulso, em um exagero do árbitro, dominar o meio ficou obviamente mais difícil. E aí até fez sentido apostar em um time mais vertical com Pepê, Éverton e Thonny Anderson, sem Jean Pyerre. O que também não funcionou, tendo o 0-0 como consequência. É verdade que o Grêmio criou chances para vencer, teve um pênalti sonegado e Pepê parou em três boas defesas do goleiro Carlos Eduardo. Ainda assim, a atuação foi bem abaixo do esperado.

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É importante lembrar que se tratava do time alternativo do Grêmio, desfalcado do Matheus Henrique. Ainda assim, são problemas que merecem atenção e precisam ser corrigidos. Afinal, a julgar pela estratégia de Renato nas outras temporadas, o técnico deve usar muitas vezes e em jogos importantes uma formação reserva na temporada. O time segue líder do Gauchão e dificuldades como as da partida de hoje são mais importantes que as vitórias fáceis, pois o estadual deve servir para testar jogadores e corrigir problemas do time.