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Marta, a melhor jogadora do mundo que o Brasil não conhece

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Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Nota do editor: No dia em que Marta completa 33 o Conexão Grenal republica este post de 2016, escrito pela jornalista Bruna Cabrera para a cobertura especial das Olimpíadas do Rio de Janeiro.

Vocês devem conhecer… O currículo é largo! Tem uma Libertadores (2009), uma Copa do Brasil (2009), uma Liga dos Campeões da UEFA (2003/2004), quatro Campeonatos Suecos (2005, 2006, 2007 e 2008), uma Copa da Suécia (2007), duas Ligas de Futebol dos Estados Unidos (2010,2011) – por times distintos -, ganhou medalha de ouro em dois Pan-Americanos, sendo um deles no Brasil (2003 e 2007), dois Campeonatos Sul-Americanos ( 2003 e 2010) e três Torneios Internacionais Cidade de São Paulo (2009, 2011 e 2012).

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E claro… Foi vice-campeã na Copa do Mundo de 2007, vice-campeã no Campeonato Sul Americano em 2006 e dois vices no Campeonato Sueco e Liga de Futebol dos Estados Unidos.

E aí, já descobriu?

Quem é?

Nada mais, nada menos do que a maior jogadora que o Brasil já teve. Não estamos falando de um homem, mas sim dela: Marta. A queridinha do momento. Nascida Marta Vieira da Silva Viega, a futebolista conquistou tudo isso (e muito mais) sem que o Brasil soubesse. Não ganhou segundos no jornal mais famoso do Brasil, nem teve figurinhas com sua foto trocadas nos colégios do país.

Marta superou todos os homens sem nenhuma publicidade. Precisou ir para fora do país para ganhar reconhecimento E DINHEIRO. Mesmo com o mundo inteiro aplaudindo a Alagoana, fomos descobri-la já com 30 anos, em 2016, na primeira Olimpíada da América Latina.

Foto: Lucas Figueiredo/CBF
Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Graças a uma má fase da Seleção Brasileira de futebol masculina e um 7 a 1, a jogadora de mais expressão de todos os tempos (entre homens e mulheres) ganhou os holofotes. Ela é incrível. A maior artilheira com a camisa Canarinho.

Caso alguém ainda tenha dúvidas sobre a grandiosidade dela, eu explico melhor: Marta foi eleita cinco vezes SEGUIDAS como a melhor jogadora do mundo. O reconhecimento por parte da FIFA ocorreu de 2006 a 2010. Antes de Messi, o mundo já tinha uma atleta com cinco títulos deste nível. Marta foi indicada 12 vezes como melhor jogadora do mundo.

Apesar disso tudo, Ronaldinho foi eleito o melhor jogador da década. Ele atuou profissionalmente e em alto nível de 1999 a 2005. Marta ganhou a maioria de seus títulos depois disso, mas nem sequer foi citada. As mulheres ainda são apagadas da nossa história com muita facilidade.

Das jogadas espetaculares dessa jogadora, eu acredito que nenhuma povoe a memória dos brasileiros apaixonados pelo esporte que é mania nacional. No país do futebol, a melhor do mundo nunca foi vista no auge do seu talento. Lamentável que esta mulher só tenha sido descoberta por incompetência do futebol masculino atual. E incompetência nossa, que se cega com o que a TV nos impõe.

Foto: Lucas Figueiredo/CBF
Foto: Lucas Figueiredo/CBF

Poucos sabem, mas Marta já foi uma Sereia da Vila. Ela integrou o grupo do Santos em 2009 e 2011. O investimento do clube para a categoria era de R$1,5 milhão ao ANO. Neymar, quando jogava no Peixe, recebia sozinho R$1 milhão por MÊS. Sim, eu sei, o futebol masculino tem mais patrocinadores, mas calma. Para. A ordem das coisas está invertida. O futebol masculino tem espaço da TV, recebe dinheiro para isso, e acaba atraindo investidores. Nós não temos espaço na nossa grade de horários para o futebol feminino, as mantemos afastadas dos holofotes e, talvez, por isso, seja mais complicado conseguir patrocinadores para as nossas meninas.

Nenhuma emissora ajusta a tabela de jogos do futebol feminino para poder colocar as partidas no ar em horário nobre, na TV aberta.

Marta, no entanto, sempre encontrou patrocinadores para cobrir seu salário por onde passou pelo mundo. Fruto da bola no pé, dos gols, dos passes, claro. Mas ela teve, lá atrás, alguém que acreditou nela e disse “vai, vai jogar bola que eu te cubro”. Foi assim que surgiu Marta, a mulher eleita cinco vezes a melhor jogadora do mundo. Faltam tapinhas nas costas das nossas estrelas do futebol feminino. Faltam olhos para apreciar toda essa garra e beleza que é ver um time inteiro de mulheres se doando para conquistar um resultado por uma camisa, por uma torcida.

Não é de hoje que faltam incentivos para a mulher no esporte. Tanto isso é verdade, que nossa primeira medalha Olímpica em uma modalidade feminina só veio em 1996, com o vôlei de praia. Não é incompetência. São portas fechadas, são olhares maliciosos que não conseguem ver em uma mulher nada além de uma bunda bonita ou uma mãe de família. Tiram-nos a capacidade antes mesmo da gente levar o primeiro tombo tentando conquistar ouros mundo a fora.

Foto: Dan Istitene/FIFA/Getty Images
Foto: Dan Istitene/FIFA/Getty Images

Que o Brasil aproveita esta Olimpíada, que custou tão caro aos cofres públicos, para também abrir os olhos para os esportes femininos e enxergar os talentos que temos SEM SAIAS, mas de chuteiras no pé e muita garra. Que a expressão de má da goleira Bárbara quando defendeu o último pênalti contra a Austrália não saia da nossa memória e sirva como incentivo para que muito mais alegrias nos esportes femininos encontrem nossos corações.

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