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Um desabafo: nossas mulheres, nosso orgulho!

O Brasil ganhou! Marta marcou e classificou a Seleção. Ela agora é a maior artilheira de todos os tempos. Passou o alemão, Klose, e com 17 gols é a atleta que mais marcou gols em Copas do Mundo (em menos jogos que o europeu, diga-se de passagem).

Confira a cobertura da Copa do Mundo 2019

A Rainha usa uma chuteira preta com um símbolo de igualdade em azul e rosa na sua quinta Copa do Mundo. Na França, a competição feminina com mais visibilidade dos últimos tempos, Marta aponta para o pé a cada gol marcado e levanta o punho direito para o alto. Sempre rodeada de companheiras que aos gritos e sorrisos orgulham um país gigante, como o Brasil.

Foto: Divulgação/ Fifa
Foto: Divulgação/ Fifa

O momento não poderia ser mais próprio. As mulheres estão unidas! Prova disso são os bares abertos aqui em Porto Alegre no meio da tarde cheios de gente para acompanhar a Seleção feminina na Copa. É a TV mostrando mulheres que foram liberadas do trabalho e se juntaram para comemorar o gol da Marta! Nós estamos unidas para lutar por nós mesmas! Vamos de mãos dadas para a rua e jogamos bola! Nos organizam para pelada durante a semana e se não dá de segunda a sexta, rola no fim de semana, pode ter certeza.

Meu peito está cheio de orgulho. Não é preciso ganhar a Copa, mesmo porque jogar contra Estados Unidos, França, Noruega, Japão, Alemanha… pedreira, né?! Esses países investem, tem campeonatos, são campeões, bicampeões, tri campeões!

Foto: Divulgação/ Fifa
Foto: Divulgação/ Fifa

Alex Morgan, Carly Lloyd, Wendie Renard, Lieke Martens, Amandine Henry, Samantha Kerr… Todos esses nomes são de peso. Elas nasceram com a bola no pé! Cresceram jogando em escolinhas sérias, com incentivo. Nada comparado aos homens, claro, mas gigantes se comparado ao futebol feminino brasileiro que está nascendo pouco a pouco.

Marta lutou contra os irmãos, que a trancavam em casa para não ir jogar com os meninos. Ela saiu do país para poder jogar, ganhar uma grana e ter visibilidade. Mesmo que pouco, mesmo que ganhando 1% do que ganha um Neymar (que tem ZERO bolas de ouro), ela ainda ganha mais lá fora. Não se compara a um Messi ou Cristiano Ronaldo, mas deveria.

Foto: Divulgação/ Fifa
Foto: Divulgação/ Fifa

Li no twitter um cidadão que dizia que Marta não deveria receber o que recebe um Neymar, mas também não deveria ganhar o mesmo que um Pará. Ela com certeza ganha menos que um Pará. E ela merece muito mais que o Neymar. Pode ter certeza que ela lutou muito mais para ser quem ela é. Ela precisou enfrentar barreiras e abrir portas que estavam abertas para o camisa 10 da seleção masculina.

Marta é Rainha, Neymar foi uma promessa que até agora só trouxe uma Olimpíada. Para quem tem 5 Copas do Mundo, Olimpíada é só mais uma medalha. Agora Marta… Não tem Copa do Mundo, nem Olimpíada… mas chegou no quase mesmo sem base, sem estrutura, sem incentivo, sem visibilidade, sem dinheiro, sem nada. Ela e a Seleção feminina inteira são luta, garra, vontade, tiveram que enfrentar preconceito, homens machistas, a imprensa, a desconfiança de tanta gente que nem dá para contar tudo.

Foto: Divulgação/ Fifa
Foto: Divulgação/ Fifa

Agora, desde alguns poucos anos atrás, temos uma competição nacional e pela primeira vez estamos pensando na base! São conquistas, óbvio! Mas queremos mais! Queremos ver nossas mulheres na TV aberta, queremos estádios lotados, queremos patrocínio, salários dignos, queremos saber o nome das melhores do mundo e ter na memória o rosto de cada uma, e o melhor drible, e o jogo mais importante!

Seguiremos lutando e orgulhosas das nossas mulheres. Elas são as verdadeiras guerreiras. Te amo, Marta. Tenho orgulho em dizer que te vi jogar.

Escrito por Bruna Marçal Cabrera

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