Internacional sangrará até o fim da atual gestão

Internacional sangrará até o fim da atual gestão

24/11/2020 0 Por Thales Barreto

O Internacional terminou o mês de outubro líder do Brasileirão, classificado para as quartas de final da Copa do Brasil e para as oitavas da Libertadores da América. Depois disso o técnico Eduardo Coudet saiu do clube para ir trabalhar na Espanha. Abel Braga foi contratado as pressas e o time não mostrou reação.

Leia todas as notícias sobre o Internacional

A perda da liderança do Brasileirão e a eliminação da Copa do Brasil para o América-MG são indícios de um problema que não começou com a saída de Coudet. O treinador argentino saiu pela desorganização política que vive o colorado em ano eleitoral e na incapacidade do seu presidente em gerir o clube.

As tomadas de decisões de Marcelo Medeiros nunca foram assertivas. O mandato começou com uma crise grave, tendo o Internacional que disputar uma série B. Em 2017 a perda do estadual para o Novo Hamburgo passou a ser ignorada, já que o foco era o retorno para a série A. O Internacional voltou, mas sem o título.

Acompanhe o Conexão Grenal no Instagram

Houve trocas de treinadores em 2017. Passou Antônio Carlos Zago, Guto Ferreira e terminou com Odair Hellmann. O atual técnico do Fluminense conseguiu feitos consideráveis, como levar o colorado para uma final de Copa do Brasil, mas acabou derrotado pelo Athletico-PR. A saída de Odair foi resolvida com a vinda de Coudet, porém o clube precisou esperar o treinador argentino terminar a temporada dele no Racing.

Foto: Ricardo Duarte/ Inter
Foto: Ricardo Duarte/ Inter

A espera fez com que o Internacional abandonasse o campeonato nacional contratando Zé Ricardo para ser um “treinador tampão”. O colorado conseguiu a vaga para a fase preliminar da Libertadores, mas a perda da Copa do Brasil perturbava os colorados. A vinda do Coudet era a esperança de um time mais eficiente.

Ok, a pandemia do Sars-Cov-2 atrapalhou as coisas, mas isso não é desculpa para uma administração que se mostrava sem convicção. Coudet reclamava, e com razão, do elenco limitado que o Internacional possui. As promessas feitas quando tiraram o treinador do Racing não foram executadas. O time dos sonhos do treinador não se materializou. Isso sem falas nas graves lesões de Guerrero, Saravia e Boschilia.

Com desfalques importantes e pressionado pelo fantasma da ausência de vitórias em clássicos – a equipe treinada por Coudet só conseguiu marcar um gol no Grêmio, de pênalti. O treinador viu o ambiente político se deteriorar velozmente. Viu a saída de dirigentes ligados a ele e acabou se sentindo isolado em um barco a deriva. Com uma proposta do Celta na mão, anunciou sua retirada.

Foto: Mariana Capra/ Inter
Foto: Mariana Capra/ Inter

Estava falando de gestão. Então é preciso deixar claro que Marcelo Medeiros não conseguiu acalmar os ânimos políticos do Internacional. O que se vê é um clube fragmentado brigando por poder e esquecendo dos problemas reais que precisam ser enfrentados para o bem do clube e de sua torcida.

A gota d’agua foi a entrevista de Medeiros após a eliminação da Copa do Brasil para o América-MG. Presidente que sai do clube sem dar nenhuma volta olímpica, Medeiros deixou claro que não aguenta mais a pressão política. No limite, aquela entrevista é a definitiva sobre o final de sua gestão. O que fica dela é que ele não quer mais ser presidente. Que se fosse possível entregava o cargo logo.

Se em outubro o torcedor do Internacional sonhava com título Brasileiro e briga nas copas, agora começa a pensar em como será a temporada de 2021, sem ter a mínima perspectiva. Nem o treinador está garantido que chegue ao dia 1º de janeiro, mesmo tendo contrato até o final de fevereiro.

Foto: Ricardo Duarte/ Internacional
Foto: Ricardo Duarte/ Internacional

Com um ambiente político em frangalhos, com um presidente completamente despreparado para um momento tão crítico, o Internacional vai sangrando e se apequenando. A torcida vermelha precisa rezar que o próximo gestor tenha calma, força e consiga conduzir o Internacional para uma reconstrução de fato.